Jacqueline Marinelli Neis
Nasci em família cristã católica e fui educada como tal.
Desde muito cedo, tive bastante vontade de conhecer os ensinamentos de Deus, queria estar em paz e harmonia com o criador e fazer “o que era certo”. Assim, na medida do possível ia à igreja, conversava com os padres e os mais devotos, sempre buscando respostas e mais respostas que me explicassem a magnitude de Deus, da criação, o papel de Jesus e da virgem Maria em nossas vidas (além do exemplo de virtude e fé).
Por outro lado, como é de conhecimento de muitos, em datas como natal, páscoa e quaresma (naquela época ainda mais do que hoje em dia) eram exibidos filmes relacionados à vida de Jesus e da Virgem. Tais filmes exerciam um fascínio sobre mim, de maneira que sempre os assistia e ficava encantada com as vestimentas e os lugares que apareciam. Logo depois, percebi que quando ouvia qualquer coisa sobre o povo árabe (errônea e freqüentemente usado como sinônimo para ‘muçulmanos’), minha atenção crescia.
Mais tarde, quando comecei estudar para fazer a primeira comunhão (um dos sacramentos da igreja católica) os professores tinham como objetivo ensinar o evangelho e a vida do Cristo, durante dois anos, para mim e meus coleguinhas. Naquela época, algo saiu errado.
Comecei a questionar com cada vez mais desconfiança o que para os outros parecia perfeitamente normal. O padre, as catequistas e os membros da comunidade se esforçavam para me fazer entender que Deus era único: a santíssima trindade (Pai, Filho, Espírito Santo). As coisas, para mim, se tornavam cada vez mais estranhas.
Comecei a questionar a minha fé e tinha certeza que havia algo errado comigo. Fiz a primeira comunhão. Comecei a estudar o catolicismo e seus dogmas, mas aquilo estava muito confuso. A partir de então, sempre com sentimentos de culpa e ingratidão relacionados à Igreja infalível (e à minha fé falível, fraca e insuficiente - segundo os outros), passei a freqüentar e conhecer as mais diversas denominações da cristandade. Eram igrejas evangélicas, protestantes e adventistas. Nada daquilo encontrava eco no meu coração. A partir da frustração de tais tentativas, passei a insistir na busca de Deus, pois quanto à Sua existência, eu jamais tive a menor dúvida, nem nos meus piores momentos de hesitação.
Depois das primeiras (longas e cansativas) tentativas, passei a estudar o espiritismo (kardecismo e umbanda), ler livros de magia, ocultismo, seitas e ordens místicas, facções cristãs, astrologia, entre outras alternativas. Tive um amigo muito idoso, judeu. Ouvíamos Mozart juntos e ele me explicava a sua religião. Entretanto, a inquietação da minha alma continuava e sentia um ‘prazer estranho’ quando ouvia notícias relacionadas ao Islam e a “um tal de Maomé”.
Em 2001 encontrei, na internet, alguns rapazes muçulmanos que começaram e me explicar o Islam com dedicação e paciência. Depois de algum tempo, eu estava perdidamente apaixonada pela religião de Deus. Para cada dúvida havia uma resposta bastante razoável. Não havia “mistérios da fé” e eu me sentia cada vez mais feliz.
Eu tinha, desde sempre, sérias desconfianças a respeito da “maldade daquele povo terrorista” e comprovei que o verdadeiro muçulmano, não importa o que ocorra, deve sempre tentar ser bom, amável e temente a Deus, vivendo em harmonia consigo mesmo e os outros, de qualquer religião.
Senti um carinho imenso quando comecei a compreender que finalmente tinha encontrado o meu lugar no mundo. Entendi que, pela misericórdia de Allah, jamais fui cristã e, também por esse motivo nada (além do Islam) conseguiu me explicar com verdade a vida, a fé, a morte e a eternidade.
Depois de quatro anos, criei coragem para finalmente me converter e, em maio de 2005 declarei que SÓ EXISTE UM DEUS E QUE MOHAMED É SEU SERVO E MENSAGEIRO. A partir de então, foi como se o meu coração tivesse finalmente “voltado pra casa”.
Se Deus (SWT) quiser, morrerei muçulmana. Amém.