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Neste verso,
nós temos a primeira direção
apontada para esta sublime nação,
que assume um papel de testemunha
perante a humanidade. Esta direção
aponta-nos que a ajuda será
alcançada através da
paciência, perseverança
e, também, da oração.
Só assim esta nação
será capaz de suportar o pesado
fardo do papel por ela assumido neste
mundo. Não obstante, esta nação
se coloca pronta a se sacrificar por
este papel, através de mártires,
carências na saúde e
alimentação de sua gente,
e o sofrimento pelos problemas trazidos
ao abraçar uma causa que beneficie
toda a humanidade. No entanto, para
seu conforto, este papel assumido
encontra-se baseado sobre uma lei
divinamente revelada.
A paciência é uma qualidade
requerida, pois o coração
do crente transforma-se submisso e
dedicado a seu Único Criador.
Nada passa no coração
do crente que não seja agradar
a Deus. Esta é a grande recompensa
do verdadeiro crente, e só
ele é capaz de reconhecer seu
valor.
A paciência e a perseverança
são freqüentemente mencionadas
no Sagrado Alcorão. Deus, muito
bem, sabe que um grande esforço
é necessário pelo crente
para que se mantenha na correta direção,
dando suas costas a qualquer sinal
de tentação ou ao que
lhe aponte. Por isso torna-se, sempre,
a paciência necessária.
A paciência é o elemento
requerido, a todos os crentes, para
a prática das boas ações,
para se abster do pecado, para lutar
contra aqueles que são hostis
à palavra de Deus e suportar
com convicção quando
a vitória tardar.
Os crentes, também, sempre
necessitam da paciência e perseverança
quando seu objetivo apresenta-se distante,
a falsidade é grande ou a ajuda
é escassa. É necessário
ter paciência para encarar aqueles
que são desviados, duros e
persistentes na rejeição
à verdade revelada por Deus.
Quando o período de sofrimento
parece ser longo, a paciência
pode atingir grau próximo de
um esgotamento, no entanto, a força
que a movimenta deve ser renovada.
Para isso o crente deverá utilizar-se
da oração, este pilar
da fé islâmica, que possui
o papel da eterna primavera a sua
alma, alimentando-a com uma nova disposição
em suas forças. Assim o crente
é capaz de perseverar por quanto
tempo seja necessário para
atingir seus objetivos. A oração
ainda lhe acrescerá a perseverança,
alegria, confidência e segurança.
Quando um homem – fraco como
se apresenta ao mundo – encara
uma tarefa que esteja além
de seus limites, ele é disposto
frente aos poderes do mal, mas mostra-se
resistente às tentações
e a outros elementos da perversidade
tais como a tirania, injustiça
e corrupção. Então
se faz necessário que ele esteja
conectado com a maior fonte de todas
as forças.
Quando o objetivo parece estar distante
e a vida curta, o homem observa a
seu redor e se apercebe que ele conseguiu
muito pouco e sua vida já se
aproxima de seu ocaso. O desespero
pode torna-se ainda mais inevitável.
Também isso acontece, quando
ele vê o mal tomando tudo a
seu redor e o bem permanecer restrito
e fraco, não havendo um brilho
de esperança ou marca no caminho.
Neste último caso o valor da
oração ainda é
mais elevado. A oração
é a conexão direta entre
o homem – ser mortal –
e seu Criador – ser eterno.
Trata-se, então, do tempo,
para a fraca natureza humana atingir
a eterna primavera, onde viceja a
chave para o eterno tesouro que não
é outra coisa a não
ser aquela que o homem deseja no fundo
de seu ser. Através deste portão
– a oração –
o homem escapa do confinamento que
este mundo lhe apresenta para a liberdade
oferecida pela submissão ao
seu Criador. Aqui é onde mora
a fonte da força espiritual
e eterna misericórdia, que
fornece o toque carinhoso que conforta
o coração extenuado.
Por essa razão, sempre que
o Profeta – que a paz e as bênçãos
de Deus estejam sobre ele –
experimentava uma dificuldade, ou
ainda, necessitasse tomar alguma decisão,
ele lançava-se em oração
e fazia de seu contato com Allah mais
prolongado.
O modo de vida do muçulmano
é aquele baseado na adoração,
que apresenta qualidades que não
podem ser vistas pelos olhos comuns.
São estas qualidades da adoração
que proverão, ao buscador,
seu sustento, força de espírito
e pureza de coração.
A cada obrigação realizada
descobrimos que a adoração
é a chave que abrirá
a porta para a satisfação
do cumprimento de outras obrigações.
Ao confirmar a grande tarefa do Profeta
Muhammad – que a paz e as bênçãos
de Deus estejam sobre ele –
Deus o Altísimo disse-lhe:
“Ó tu, acobertado, levanta-te
à noite (para rezar), porém
não durante toda a noite, a
metade dela ou pouco menos, ou pouco
mais, e recita fervorosamente o Alcorão.
Em verdade, vamos revelar-te uma mensagem
de peso." (surata 73:1-6)
Nestes versículos Deus adverte-o
– que a paz e as bênçãos
de Deus estejam sobre ele –
sobre as palavras que receberá
e sua grande tarefa. Também
aponta para a adoração
e a recitação do Alcorão.
É esta adoração
que abrirá os corações
dos homens, fortalecendo sua relação
com Deus e tornando seus problemas
mais leves. Ela é que traz
a luz para o mundo dos homens, sendo
fonte ilimitada de força, confiança
e segurança.
É por isso que Deus em Seu
livro – o Sagrado Alcorão
– estimula aos crentes serem
pacientes e se dedicarem às
orações em suas dificuldades.
A indicação que suporta
essa direção é
: Deus está com os pacientes.
Ele lhes suporta, fortalece e conforta.
Ele não os abandona em suas
próprias limitações
ou pouca força. Ele lhes fortalece
quando seus objetivos e caminhos encontram-se
distantes. Deus inicia este verso
com a indicação que
sempre lhes é bem-vinda: “Crentes”.
E conclui com o encorajamento: “Deus
está com os pacientes”.
Há inúmeros ahadith
do Profeta – que a paz e as
bênçãos de Deus
estejam sobre ele – que enaltecem
o valor da paciência e perseverança.
Nós daremos um ou dois exemplos,
que são relevantes ao propósito
deste versículo do Sagrado
Alcorão, advertindo a comunidade
muçulmana para o cumprimento
de seu papel e tarefa.
Khattab ibn Al-Aratt, um dos companheiros
do Profeta – que a paz e as
bênçãos de Deus
estejam sobre ele – relatou:
“Nós nos queixamos de
nossa situação para
o Mensageiro de Deus – que a
paz e as bênçãos
de Deus estejam sobre ele –
quando ele estava reclinado sob a
sombra da Kaaba. Nós lhe dissemos:
‘Você poderia pedir a
Deus que nos ajudasse?’ Ele
disse: ‘Houveram comunidades
de crentes antes de vocês onde
homens foram aprisionados. Um buraco
foi cavado no chão para um,
e ele foi colocado nele. Uma serra
foi trazida e com ela a cabeça
de outro foi dividida em duas partes.
Outros foram torturados com pentes
de ferro, que lhes arrancavam a carne.
No entanto, esta tortura não
os afastou da fé. Eu juro por
Deus, que Ele garantirá a supremacia
desta religião até que
um viajante solitário será
capaz de viajar de Sanaa a Hadramout
temendo a não ser Deus e o
lobo, por suas ovelhas.’'
Ibn Massoud, um companheiro do Profeta
– que a paz e as bênçãos
de Deus estejam sobre ele –
diz: “Eu poderia ver o Mensageiro
de Deus – que a paz e as bênçãos
de Deus estejam sobre ele –
na mesma posição dos
Profetas – que a paz de Deus
esteja sobre eles - que o antecederam,
que eram maltratados por sua gente
até sangrarem. Ele limpava
o sangue de sua fronte e dizia estas
palavras: ‘Meu Senhor, perdoe
meu povo, eles não conhecem
a verdade’”(relatado por
Al-Bukhari e Muslim).
Yahya ibn Waththab relata que o Profeta
– que a paz e as bênçãos
de Deus estejam sobre ele –
sobre a autoridade de um de seus companheiros
disse: “Um muçulmano
que se mistura com gente e sofre os
maus tratos é melhor do que
o que não se mistura com eles
e não sofre seu abuso.”(relatado
por Tirmidhi
)
Comentário
de Sayyid Qutb, Traduzido para o inglês
por Adil Salahi e Azur Shamis
Extraído da revista Muslim
Youth, Outubro de 2002. |